Reinaldo Inácio
Engenheiro de MLOps; pesquisa em materiais correlacionados por primeiros princípios. Construiu o pipeline de cálculo e o classificador de simetria de gap da BITA.
Deep tech de materiais · São Paulo, Brasil
A BITA desenvolve um pipeline de física de primeiros princípios que classifica, antes da síntese, quais materiais podem virar produto — começando pelo problema mais caro da supercondutividade: transformar descoberta em fio.
O problema
A história dos supercondutores está cheia de materiais extraordinários que nunca viraram tecnologia. O motivo mora numa propriedade quântica — a simetria do gap — que decide se um material tolera as fronteiras entre os grãos cristalinos de um fio. Quando não tolera, a única saída industrial são fitas epitaxiais de custo proibitivo. Quando tolera, o material aceita metalurgia convencional — e pode virar fio com custo de commodity.
A BITA busca composições da segunda classe. Não perseguimos recordes de temperatura crítica: perseguimos manufaturabilidade, o critério que separa o material de laboratório do material de fábrica.
fita supercondutora: gargalo declarado dos setores de fusão,
ressonância magnética e rede elétrica — o custo se mede em kA·m,
e é nele que a simetria do gap pesa.
O pipeline em 60 segundos
Método
Cada candidato atravessa a mesma sequência de cálculo quântico — sem parâmetros ajustados a experimento — até receber uma classificação que a indústria consegue usar.
Mecânica quântica do material calculada por primeiros princípios (DFT+U), acelerada em GPU.
O essencial da física condensado em poucas funções, com validação numérica explícita em cada etapa.
Métodos de muitos corpos multiorbitais (RPA, FRG) mapeiam as instabilidades que dão origem ao pareamento.
Classificação do "formato" do pareamento — com taxas de erro medidas, não com promessas.
Demo interativa · superfície de Fermi 3D colorida pelo sinal do gap · dados pré-computados da calibração
O pipeline em detalhe
Cada candidato atravessa a sequência abaixo. Os portões R calibram o instrumento; os marcos M blindam o classificador. Todos são critérios medidos — e binários.
Geração de supercélulas e relaxamento geométrico até a configuração de menor energia, seguidos do cálculo autoconsistente da densidade eletrônica (DFT+U), acelerado em GPU.
A estrutura eletrônica resolvida em malhas densas de pontos-k, gerando o mapa de estados que alimenta a compressão — e confirmando que a física relevante vive nos orbitais certos.
Terabytes de funções de onda destilados em hamiltonianos compactos de poucos megabytes — que precisam provar, numericamente, que preservam a física essencial.
Métodos de muitos corpos multiorbitais (RPA, FRG) calculam onde os elétrons "querem" se organizar magneticamente — as instabilidades de onde nasce o pareamento.
A fase que decide: o material tolera a desordem da metalurgia convencional — ou exige fitas caras? O classificador é blindado por marcos numéricos com precisão de máquina.
Rota de fio: metalurgia convencional, escala industrial, custo de commodity. É o perfil que a BITA persegue.
Rota de fita: processo caro e lento. Cientificamente interessante — descartado para a tese de fio.
Se o veredito não permanece estável sob refinamento de malha, ele sai como "indeterminado" — a honestidade é embutida no classificador, não adicionada depois.
Validação
Antes de buscar materiais novos, a BITA prova que seu classificador acerta os que a ciência já conhece: a pipeline classificou a simetria de gap de seis supercondutores de referência — do convencional ao mais difícil de acertar — contra o que se mede em laboratório há décadas, sem nenhum parâmetro ajustado a experimento.
Sobre um nickelato cuja física é conhecida e medida experimentalmente, o funil computacional atravessou todas as fases — da estrutura eletrônica ao mapa de flutuações — e previu a instabilidade magnética observada: a direção correta, o caráter tridimensional correto e, na temperatura em que a ordem se forma, a família de vetores experimental no topo do mapa.
0 parâmetros ajustados a experimentoO análogo de rutênio do BaFe₂As₂ — mesma estrutura cristalina, elétrons 4d no lugar dos 3d do ferro — atravessou o mesmo instrumento, com a interação eletrônica U fixada no mesmo valor absoluto. Onde o BaFe₂As₂ produz o pareamento s±, o SrRu₂As₂ recebe veredito nulo. É o resultado que diferencia o produto: o classificador não encontra supercondutividade não-convencional onde ela não existe.
mesmo U absoluto · mesma pipeline · veredito opostoNada avança na BITA sem passar por portões de validação empíricos. Comunicamos taxas de erro medidas e classificações verificáveis — não previsões de temperatura crítica.
Trilhas de pesquisa
Triagem de composições cuja simetria do gap tolera contornos de grão — os requisitos de quem fabrica fio, não apenas de quem publica artigo.
O mesmo pipeline validado, aplicado à refrigeração de estado sólido: triagem de óxidos pela resposta magnetocalórica e pelo ajuste da temperatura de transição via dopagem.
A empresa
A BITA é uma empresa brasileira de tecnologia profunda dedicada à descoberta computacional de materiais. Cada resultado nasce de cálculo quântico verificável e passa por portões de validação antes de qualquer comunicação. Candidata à incubação: ITUFABC / InovaUFABC (em avaliação).
Não somos uma empresa de software que fala de materiais: somos uma empresa de física que constrói o próprio instrumento computacional.
Equipe · Team
Fundação e núcleo técnico da BITA, com identidade verificável em fontes públicas independentes.
Engenheiro de MLOps; pesquisa em materiais correlacionados por primeiros princípios. Construiu o pipeline de cálculo e o classificador de simetria de gap da BITA.
Empresa registrada sob o regime Inova Simples (LC 167/2019) · CNPJ 67.844.460/0001-77 · consulta pública do CNPJ (Receita Federal) →
Publicações · Publications
Inácio, R. (2026). Generating is not discovering: a pre-registered physics judge for AI-proposed superconductors, calibrated on six known superconductors and one negative control. Zenodo. https://doi.org/10.5281/zenodo.22651560
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